O Antilead

Tuesday, September 20, 2005

Reportagem analisada: OSCAR 2005

Picada e sobrecarregada: essa é a mídia do futuro

A ansiedade na absorção de informações é uma das síndromes do Século XXI. Afinal, quantos, hoje em dia, têm paciência para ler jornal? Tendo isso em mente, pode-se arriscar que a tendência na transmissão de notícias caminha em direção à sobrecarga dessas informações. O programa The Big Picture, feito pela MSNBC (junção da Microsoft com a rede de televisão NBC), é um ótimo exemplo disso.

Na reportagem examinada, sobre as expectativas de quais seriam os vencedores do Oscar 2005, tudo foi produzido visando a interatividade. São seis tópicos. No primeiro, Hollywood Squares, é mostrada uma matéria televisiva dos conhecimentos dos transeuntes de Hollywood com relação aos atores e filmes indicados. Ao mesmo tempo, um boxe transmite informações sobre os filmes que estão sendo mostrados na reportagem e, em um outro, menor, no canto inferior direito, a apresentadora serve de narrador.

A sobrecarga de informações é visível, enquanto a interatividade fica por conta de tentativas de adivinhação do internauta sobre qual resposta dará o transeunte entrevistado. Ao final do tópico, é mostrado seu score e a média dos que participaram anteriormente, além de um espaço para opinião do espectador. No intervalo, um comercial da Hyundai, patrocinadora do programa.

Antes de comentar o segundo tópico, há de se dizer que essa ordem (de tópicos) é a apresentada pelo site, já que é possível modificá-la de acordo com o desejo do internauta. Após sabermos dos parcos conhecimentos sobre cinema dos entrevistados, partimos para o Year of the biopic, onde o programa aproveita o gancho dos muitos filmes biográficos indicados ao prêmio principal e dá a chance do internauta montar seu filme biográfico, indicando diretor, ator e protagonista.

Em Sarah vs Tara, duas críticas de cinema debatem a respeito de alguns indicados e o espectador atribui pontos à parte que ele supõe estar vencendo. Como um jurado de boxe em um debate político. No tópico Betting on Oscar, além de muitas informações sobre sites de apostas, há a chance de se apostar no ator favorito ao prêmio.

Um dos mais divertidos é o Red carpet fashion, onde são mostradas atrizes na premiação do Globo de Ouro e o internauta tem a chance de dar notas a seus vestidos. A matéria termina com o The inbox, ou seja, a caixa de entrada do programa, que mostra as opiniões dos espectadores.

O formato do programa é moderno, apesar de ser apenas um esboço do que se pretendem as redes de televisão pela internet. The Big Picture cumpre muito bem seu papel de informar e entreter. É impossível ficar entediado diante de tamanha interatividade (e bom humor). A convergência das transmissões de informação por maneira televisiva e por internet é bastante eficaz - assume o formato da seção de extras de um DVD. Tudo picado, de maneira a manter o ritmo. E repleto de informações, para não subjugar a capacidade de absorção do internauta/espectador.

Tuesday, June 21, 2005

Apesar de você...

Análise do filme THX 1138 (1971), dirigido por George Lucas, com base no texto O lide do próximo milênio, de Fernando Vilela.

O ser humano odeia ser vigiado. É algo que vem da infância, os pais espreitando por sobre os nossos ombros, bisbilhotando, ligando para saber que hora voltaremos. Freud explica. A tecnologia, cada vez mais, converge no sentido da criação de um pai universal. O Big Brother de Orwell. As câmeras nas ruas de cidades ao redor do mundo - algumas aqui no Brasil - em breve não mais perdoarão nem mesmo um simples xixi na rua, um ato falho básico dos bêbados.

A discussão não é atual. Ou melhor, sempre o é. Desde 1950, quando os primeiros gibis do Pato Donald previam, entre carros voadores, uma polícia robotizada, inumana, insensível. Passando pela inteligência artificial do HAL 9000, de 2001 - Uma Odisséia no Espaço. Será que estamos sendo dominados pelas máquinas?

O THX 1138, do futurista George Lucas, teve inspirações óbvias no citado 2001, no 1984 de seu xará George Orwell, no Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, entre outros. No filme de 1971, a máquina ainda é administrada pelo homem, apesar de o limite ser bem tênue. Alguns aspectos, como o recrudescimento na vigilância eletrônica da sociedade, a busca pela produtividade máxima e os wireless, em geral, são prospectos que já podem ser observados na sociedade.

No texto de Villela, os wireless são novamente uma previsão na mosca, além das broadbands e dos celulares cada vez mais futuristas e auto-suficientes. Nos Estados Unidos, pais neuróticos já implantam chips nos pulsos de seus filhos recém-nascidos. Por enquanto, o intuito é a localização GPS em caso de seqüestro ou uma esticada na baladinha. Lá estarão também o tipo sangüíneo da criança e outras informações médicas.

Parece bom? Outra informação que o chip deverá conter, no futuro, é a ficha criminal da pessoa. Um deslize e a marca fica pelo resto da vida. O futuro está vindo ao nosso encontro e adoramos colocar a culpa nas máquinas, mas isso só funciona nos nossos sonhos. Na prática, a ditadura só não tem mais nomes. Eles estão todos atrás de telinhas, em escritórios fechados, protegidos de qualquer protesto.

Próximo da perfeição

Análise do site BBC NEWS, de acordo com as propostas de Ítalo Calvino, inclusas no texto O lide do próximo milênio, de Fernando Villela.

Leveza
O site tem uma linguagem visual clara, simples e objetiva, sem poluição ou ruídos. Na primeira batida de olho, percebe-se a chamada principal com foto, os links para as notícias ao redor do mundo (a BBC é uma referência mundial, acessada internacionalmente, e explora bem essa característica), as cores principais (vermelho alaranjado e azul escuro) e a linha mestra do site: a política. O objetivo de se transmitir informação em grande quantidade sem causar pane no cérebro do leitor é atingido com maestria.

Rapidez
Cumpridora de seu papel de uma das grandes provedores de notícias do planeta, a BBC não só está sempre atualizada (seja em quaisquer das 45 línguas escolhidas, cada qual com seu próprio layout e notícias regionais) como demonstra ter seu ponto de vista marcante sobre o ocorrido. Uma linha com as latest news, pairando sobre o horário da última atualização, é um bom exemplo da função de agência de notícias, que convive bem com a atividade de grande portal. A parceria com a Reuters é garantia de acesso aos acontecimentos em tempo real.

Exatidão
O título forte, o olho preciso e a ausência de lead (que não o olho) mostram que a BBC anda junto com a vanguarda do jornalismo mundial. A notícia vem sempre acompanhada de muitos links (à direita e no alto da página, ao lado da primeira foto), fundamentais para os leigos no assunto tratado. Não há muito o que dizer quanto à credibilidade do canal. Quem acessa a BBC geralmente sabe o ponto-de-vista que irá encontrar - e sempre há um, a neutralidade passa longe.

Visibilidade
Além do fato de estarmos tratando de uma agência de notícias de porte mundial, há de se ressaltar que ela faz por merecer, buscando leitores por todo o planeta. Não só o básico está presente - como os obrigatórios E-mail this to a friend e Printable version no fim da página -, há também as opções de Low graphics version, para conexões mais lentas, as já citadas 45 línguas, cada qual com as principais notícias regionais, uma página só de notícias a serem comentadas pelos leitores (não chega a ser um fórum), entre outros. Não é um site que prima pela personalização do acesso, mas a interatividade e o alcance são dificilmente igualados.

Multiplicidade
Áudio e vídeo são conteúdos que não faltam no site da BBC. O veículo tem uma rádio de renome mundial, a qual pode-se escutar em um link na homepage. A previsão do tempo nas principais capitais do mundo também é acessada na página principal (ainda que não faça sentido falar do clima londrino...). Há a opção de se receber as notícias no celular ou no palmtop e, na já citada página Have Your Say, virar manchete com uma declaração sobre determinada notícia. A main poderia ser melhorada com colunas de especialistas em política na home.

Wednesday, May 11, 2005

Orkut 100% NEGRO

Hoje (11/5/5), 28 dias após o início do caso Desábato, dá para se ter uma boa idéia do que foi a cobertura pela imprensa da internet das palavras racistas proferidas pelo argentino, seguidas da prisão do mesmo pela polícia paulistana. Duas buscas no Google, por "desábato grafite" e "desabato grafite", geram 25 mil ocorrências, 46% delas em páginas brasileiras.

Confira o cronograma do caso Desábato:

Quarta-feira, 13 de abril de 2005

O São Paulo vence o Quilmes, da Argentina, por 3 a 1, no Morumbi, pela Copa Libertadores da América. No final da partida, o atacante brasileiro Grafite, negro, é ofendido pelo zagueiro argentino Leandro Desábato e o agride. As câmeras da Rede Globo capturam a imagem e o locutor Galvão Bueno faz uma equivocada leitura labial do zagueiro, afirmando ter esse chamado o atacante de "macaco". Grafite leva o cartão vermelho, vai mais cedo para o vestiário e é aconselhado por dirigentes do São Paulo e pelo delegado de polícia Osvaldo Nico Gonçalves a abrir um boletim de ocorrência contra o argentino. O delegado dá voz de prisão ao atacante na saída do campo.
A imprensa brasileira foi rápida na cobertura do caso pela internet. O jogo terminou às 23h39. Cerca de um minuto depois, os maiores portais de esporte do país já tinham a nota do jogo. O Terra, que funciona com notícias das agências Lance! e Placar, deu a primeira notícia sobre a prisão às 23h48. O Estado de S. Paulo, da Agência Estado, um minuto depois. A Gazeta Esportiva.Net, às 00h03 da quinta-feira. A UOL, das agências MBPress, Folha e Pelé.Net, somente às 2h17.

Quinta-feira, 14 de abril de 2005

Desábato segue preso devido a um imbróglio envolvendo o pagamento de sua fiança. Na cadeia, confessa ter chamado Grafite de "negrito de mierda" e dito para o brasileiro: "metete una banana en el culo". O argentino recebe a visita do presidente da Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol), o paraguaio Nicolas Leoz. O dirigente afirma que a prisão "pode ser um exemplo para o mundo". O ídolo argentino Diego Maradona, como de costume, é consultado e releva os insultos, afirmando que os brasileiros superdimensionaram as palavras de Desábato. No Brasil, os argentinos do Corinthians (o técnico Daniel Passarella, o zagueiro Sebá e o atacante Tevez) evitam comentar o caso. Sebá ainda defende, rapidamente, o caráter de Desábato.
Dez horas após o ocorrido, jornais do mundo inteiro já haviam abordado o assunto. Esportivos, como o Olé!, da Argentina, Ás e Marca, da Espanha, La Gazzetta dello Sport, da Itália, e A Bola, de Portugal, e não-esportivos, como o La Nación, da Argentina, o China View, da China, e The New York Times, dos Estados Unidos. Todos os esportivos colocaram enquetes sobre a polêmica.

Sexta-feira, 15 de abril de 2005

As notícias do dia ficaram por conta da liberação de Desábato e de dois sites argentinos do Quilmes, que defenderam o zagueiro. O site da torcida, cervecero.com.ar, prometeu vingança contra o brasileiro.

Domingo, 17 de abril de 2005

O Quilmes retorna a campo, na Argentina, e perde para o River Plate por 4 a 0, pelo Campeonato Argentino. A torcida do time de Desábato exibe uma faixa racista, que vira notícia em sites mundo afora.


Foto: Reuters Posted by Hello

Quarta-feira, 20 de abril de 2005

Uma semana depois do ocorrido, Grafite volta a ser notícia na net ao considerar retirar a queixa contra Desábato.

Domingo, 24 de abril de 2005

Pressionado pelos meios de imprensa braisleiros, Grafite afirma que vai "até o fim" no caso Desábato.

Quarta-feira, 27 de abril de 2005

Em amistoso entre Brasil e Guatemala, no Pacaembu, Grafite marca um gol e vê uma banana sendo arremessada em campo pela torcida brasileira. A fruta é exposta para os fotógrafos e aparece em todos os grandes sites do país, dividindo a atenção com o grande fato do jogo, a despedida do atacante Romário da Seleção.


Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press Posted by Hello

Quinta-feira, 28 de abril de 2005

A Conmebol retalia a persistência de Grafite com um perdão a Desábato e uma amaeça de suspensão a Grafite, por ter levado o caso à Justiça Comum. Quem dá o parecer é o presidente Nicolas Leoz, o mesmo que havia elogiado a atitude do jogador duas semanas antes. No mesmo dia, à noite, a imprensa noticia o retorno de Desábato aos gramados. O zagueiro marca um gol contra, que decreta a derrota de seu time para o boliviano The Strongest e a eliminação deste na Copa Libertadores da América.

Sexta-feira, 29 de abril de 2005

Em entrevista para anunciar seu retorno ao futebol, o ex-técnico do Boca Júniors, Carlos Bianchi, defende Desábato e atribui o ocorrido à rivalidade Brasil-Argentina, voltando a colocar o caso na mídia.


ORKUT

Um bom termômetro para se medir a repercussão do caso é o Orkut. Foram criadas 52 comunidades em decorrência da prisão de Desábato:

  • 34 comunidades contra o argentino, sendo a maior delas "Odeio Desabato akele racista!", com 112 membros
  • 10 comunidades contra o racismo no futebol, sendo a maior delas "CONTRA o racismo no FUTEBOL!!!", com 40 membros
  • 5 comunidades a favor do zagueiro, sendo a maior delas: "Desábato", 31 membros. Entre as comunidades relacionadas a esta, incluem-se "Eu odeio o Grafite" e "Eu odeio o São Paulo"
  • 2 comunidades contra o Quilmes, sendo a maior delas: "Diga NÃO a torcida do Quilmes", com 12 membros
  • 1 comunidade a favor do delegado do caso: "Dr. Nico, que prendeu Desábato", com 10 membros.

Tuesday, April 05, 2005

Webcabide

Q: De acordo com o texto de Marcos Palácios, qual a importância do jornalista em relação ao conteúdo online?

A: O autor deixa bem claro, utilizando como referência um artigo de Dominique Wolton, que a ausência de mediadores para o acesso à informação é uma espécie de utopia. Os jornalistas, primeiramente, têm como função filtrar a notícia que chegará aos olhos impacientes e seletivos do leitor. “Ninguém quer assumir o papel de editor-chefe a cada manhã”, diz Wolton, justificando a necessidade de funcionários intermediários. Contrariando a idéia citada por Pierre Lévy de um possível desaparecimento do jornalismo com a internet, Palácios expõe a necessidade da “filtragem e ordenamento” das notícias disponíveis, como ordem poupadora de tempo do leitor. O jornalista, conclui o autor, torna-se um “moderador”.

Friday, April 01, 2005

Estado.com.br sete e meio

A grande quebra de champanhe no casco desse blog ocorre com a análise da reforma digital no site do Estado de S. Paulo. Depois da reforma gráfica na edição impressa, que modificou a cara carrancuda do Estadão, o jornal inovou na Internet e criou uma bela página, que deixa um gostinho futurista em quem a visita. Para ter acesso a todo o conteúdo de um dos maiores jornais do país, basta cadastrar o email e receber uma senha. A duração é de 30 dias, ao fim dos quais pode-se cadastrar outro email. E por aí vai... A avaliação aqui presente é dividida em quatro partes: Conteúdo, Interatividade, Conteúdo Visual e Navegação. Vamos a elas!


Conteúdo

A primeira diferença que se nota entre os conteúdos das duas versões é a seção ExtraOnline, que permite aos internautas ter acesso a fotos que não saíram na edição impressa, além de vídeos e músicas relativos a reportagens. Também há teasers de matérias, que facilitam a navegabilidade, funcionando como um índice das informações mais interessantes. Outra vantagem do site são os arquivos do jornal, que ainda não estão completos. Por enquanto, o leitor só poderá consultar as edições de 2005, e algumas de dezembro último. Nota: 8


Interatividade

Considerando interativo um site que possibilita a troca de informações com quem o acessa, algumas observações podem ser feitas. O primeiro é que a seção Fale Conosco possibilita ao leitor deixar sua observação para praticamente todos os setores do jornal, porém só por meio do Outlook Express. Claro que sempre se pode copiar o email e colar no endereço no provedor de uso, mas esse recurso periga ser complicado para os mais alheios aos recursos do computador. (A geração pós-PC põe a mão no fogo que o “ctrl-C, ctrl-V” é a maior invenção depois da TV. Nem vou mencionar o Google...) A ferramenta de busca, como em 90% dos sites ao redor do mundo, é praticamente nula. Quando funcionar, será para os arquivos do Estado a partir de 2000. No portal Estadao.com.br, onde a busca é feita em parceria com o Google e funciona, o período retrocede para 1995. Ainda inexistem chats e fóruns. Na parte de Ajuda e Como Navegar, há ainda um Tour Virtual, muito útil para iniciantes. Nota: 5,5


Conteúdo Visual

O layout do site é bastante simples e funcional. Depois da primeira navegada, fica fácil de se adaptar. Na versão GIF, o título, o olho e o texto são escritos em formatos diferentes, que, apesar da diversidade de cores, não constituem um visual carregado. Percebe-se que é um design inicial, uma espécie de piloto, pré-animações em flash e outros recursos modernosos. A versão em PDF é uma cópia da impressa, portanto sem maior esforço para os webmasters. Nota: 6


Navegação

É muito fácil navegar no novo site do Estadão. Pode-se escolher conferir a edição do dia em .pdf (arquivo Acrobat Reader) ou em .gif (arquivo de imagem ampliada). O primeiro tem a vantagem de se escolher o nível de ampliação, além de ser mais parecido com a edição impressa, para os leitores que não querem se desgarrar de imediato. Por outro lado, demora mais para carregar. No formato GIF, o leitor seleciona a foto ou artigo que pretende ler e o aumenta, podendo também escolher o tamanho da fonte. É mais rápido e tem um índice para facilitar a localização da matéria de interesse. Mas pode ser exasperante para os mais conservadores, já que o acesso é feito por meio de janelas. Nota: 9


Avaliação Final

É muito cômodo poder acessar integralmente o conteúdo de um jornal, sem custo nenhum. As duas opções disponibilizadas no site, em PDF e GIF, devem cobrir a preferência da maioria. Ainda há muito o que ser completado e melhorado, mas trata-se de um bom projeto de site. Nota: 7,5